quarta-feira, 8 de abril de 2009

A ocupação do litoral pernambucano, por Clóvis Cavalcanti

Abril 6, 2009 by vivamaraca

Clóvis Cavalcanti // Economista
clovis.cavalcanti@yahoo.com.br

Logo após a eleição de Miguel Arraes, em 1986, fui a uma conversa com ele no escritório onde se montava o plano de governo. Ficava na Avenida Rui Barbosa, perto da ponte da Torre. Nessa ocasião, sugeri que a casa do governador, em Porto de Galinhas, fosse transformada, com seu imenso terreno, em um parque para os banhistas de baixa renda que frequentavam o local. Sugeri também outras coisas relativas a cuidados ambientais que o poder público deveria assumir em Pernambuco. Uma delas era não construir uma refinaria de petróleo em Suape. Minhas ideias, claro, não prosperaram, nem eu imaginava que pudessem prosperar. Apenas quis dar meu recado. Levei um documento escrito e disse a dr. Arraes: “Leia mesmo”. Ele riu e comentou que lia muito. Dias depois, o Diario noticiou que eu estava cotado para ser secretário de Planejamento do governo estadual (não era verdade). Como alguém com posição tão pouco ortodoxa, desagradando governo e oposição, poderia assumir tal cargo?

É assim que vejo com tristeza o estado lamentável da ocupação predatória do litoral pernambucano. Enquanto muita gente fala numa hipotética cobiça internacional pela Amazônia, o fato concreto é que nossa costa sofre uma invasão de estrangeiros sem precedentes desde o período holandês - e não se levanta uma palavra de advertência a respeito. Na verdade, esse é um processo que se estende ao Nordeste todo. Em Natal, outdoors anunciam negócios imobiliários com valores em euros. A praia de Pipa converteu-se em paraíso de investidores de múltiplas nacionalidades. Tudo bem. Estamos numa economia de mercado, onde prevalece a iniciativa privada. Mas aqui a selvageria impera. A esse respeito, uma passeata de cidadãos pernambucanos vai realizar-se no dia 12 de abril (Domingo de Páscoa) na praia de Maracaípe, onde são impressionantes os problemas recentes ali surgidos. Como é sabido, o governo de Pernambuco (Eduardo Campos recebeu isso como herança)

tem patrocinado negócios no Litoral Sul do estado (no que ainda restava de preservado aí) para grandes grupos empresariais portugueses e espanhóis. A casa do governador foi vendida para estrangeiros. Terras, desde a praia do Paiva, passando por Maracaípe, até uma área de 500 hectares em Barreiros, a qual será transformada em gigante “eco-resort”, estão nas mãos de gringos. Uma estudante minha, do curso de ciências ambientais na UFPE, assistiu, faz algum tempo, a uma palestra do biólogo que assessorava a construção da via de Porto de Galinhas a Maracaípe. Segundo ele garantiu, nem um centímetro sequer de manguezal seria desmatado para a obra. Uma visita ao local mostra, porém, enorme destruição de esplêndida área de mangue, num lugar famoso por seus cavalos-marinhos, além de responsável por várias espécies marinhas de grande valor econômico. Em Pernambuco, para atender às demandas econômicas, cada vez menos manguezais sobrevivem. Ora, esses ecossistemas são berçários naturais de inúmeras espécies do mar, inclusive tubarões. Um elo entre a destruição de manguezaise os ataques de tubarão a norte de Suape já tem sido estabelecido em pesquisas, e não é acidental. Quando comecei a ir à praia de Muro Alto - então completamente desconhecida (era 1972; hoje não vou mais) -, vi tubarões passando perto da água onde mergulhava com minha família. Pescadores da região (raros), que apareciam por ali, informavam que os predadores que víamos eram inofensivos. Mas é porque estavam bem alimentados, suponho. Hoje, quem perceber um tubarão por perto, ali ou em outra parte do litoral de Pernambuco, passará pelo maior sufoco. Esse é só um sinal dos desequilíbrios que a cupidez desvairada que impulsiona os atores econômicos no estado - públicos e privados, nacionais e forâneos - está causando. Têm razão os membros da cidadania que protestarão em Maracaípe no dia 12 deste abril.

terça-feira, 7 de abril de 2009

SALVE MARACAÍPE

Pessoas,

O que está acontecendo com Maracaípe é um absurdo e não podemos deixar quieto.
Com os grandes resorts internacionais tomando conta de todo o Nordeste, o mínimo que podemos fazer é que eles pensem e reflitam sobre suas atividades e se adequem à realidade embiental, social local. O ideal seria impedirmos o estabelecimento dos empreendimentos.

Como muitos já sabem, no terreno de Maracaípe chamado Casa do Governador será construído um resort de 70 ha do grupo português Teixeira Duarte. Isso mesmo, no ultimo pedaço de praia não concretado de Ipojuca irão ser montadas mais de 1000 unidades residenciais e mais alguns milhares de unidades para hospedagem. Em uma região onde o crescimento urbano é completamente desordenado e já está extremamente inchado, irão construir esse monte de residencias na beira da praia. É mole?

Assim como todos os outros grupos internacionais que vierão para construir seus resorts em nossas praias, o grupo português "mereceu" o total apoio de nosso governo. Este mesmo governo que há um bom tempo vem prometendo para Maracaípe um sistema de saneamento, a qual carece inteiramente. Isso tudo para poder cumprir a meta de atrair 19 bilhões de investimentos para o setor de Turismo até 2020. Mas porque esse investimento tem que ser dessa forma? Sempre favorecendo os que tem mais em detrimento dos menos favorecidos e principalmente do meio ambiente?

É pessoal, pra variar, o governo vai atrás de números e mais números, como se eles fossem proporcionar uma melhor vida para todos e uma melhoria da qualidade do ambiente. Pelo contrário, nós sabemos disso.

Além desse total apoio para um terreno que ainda não foi comprado (pois é, ao contrario do que a maioria ta sabendo. Como é que ja tem cerca cercando o local?), o governo aumenta seu apoio na pavimentação da via Porto de Galinhas-Maracaipe. Não estou dizendo para nao pavimentar, até pq isso foi uma reinvidicação da população local. Mas tinha que ser gigante daquele jeito? Aterrando nao sei quantos ha de mangue? Pq o governo vai tirar as pessoas que constroem em cima do mangue porque nao possuem outra alternativa e arregaçam as pernas pq está chegando esse empreendimento internacional?

Basta de arregaçamento de pernas!!! Venha conosco se revoltar, reinvidicar e propor alternativas para um Pernambuco mais sustentável (para quem nao sabe, o nosso estado é conhecido como um "arregaçador de pernas" nacional por permitir grandes empreendimentos altamente impactantes socia e ambientalmente).

DIA 12.04 iremos nos reunir num grande ato a favor da vida, a favor de Maracaipe.
Com concentração às 11h atrás do Bar do Marcão iremos sair pela famosa via e fazer um percurso para nos posicionarmos contra esse absurdo que nos é jogado guela abaixo.

SE JUNTE A NÓS, VOCÊ FAZ PARTE DISSO TAMBÉM.

Informações: 8854 8853

Aho!
Drica Ayub

Algumas fotos da região:
















http://vivamaraca.wordpress.com/2009/04/03/salve-maracaipe-4/

quinta-feira, 19 de março de 2009

2ª Bicicletada do Recife


No próximo dia 27, ocorrerá mais uma Bicicletada no Recife e o Coletivo CASA não poderia deixar de apoiar este movimento!! A idéia é alertar que os centros urbanos precisam ser repensados sobre a forma como estes vem se desenvolvendo. No caso específico do Recife, é bom lembrar que já sofremos com congestionamenos, principalmente em "horários de pico", quando todo mundo precisa circular pela cidade com seu carro. Nada contra quem tem carros, diretamente, entretanto a situação tende a piorar, visto que todos os dias mais carros são vendidos e logicamente rodarão pela Veneza brasleira, ocasionando mais drama ao trânsito e menos espaço para os meios de transportes alternativos.
Para tanto, existe a bicicleta como um dos mais, senão o mais eficiente, meio de transporte da humanidade. Seja esta eficiência energética, ambiental ou na própria mobilidade urbana, por tomar pouco espaço.
Lutemos pelo reconhecimento e respeito a este transporte alternativo que alguns integrantes do Coletivo CASA utilizam com prioridade no seu cotidiano.
Resumindo, não perca este dia de passeio e manifesto pelas ruas da cidade do Recife.
Concentração às 17 h na Praça do Derby e saída às 18:30 h. Definiremos o trajeto no local!!! Participe!!!

Para maiores informações: http://www.bicicletada.org/recife

quinta-feira, 12 de março de 2009

CURSO SANITÁRIO SECO TERMOFÍLICO

14 e 15 de março

Local: Centro Ecopedagógico Bicho do Mato


E o que é um sanitário seco??

O banheiro seco é um banheiro que utiliza matéria orgânica seca na descarga ao invés de água. Com isto, evita o emprego de redes de esgoto, pois os dejetos são tratados no próprio local pelo processo de decomposição da compostagem. Os dejetos, após tratados, podem ser usados como adubo para as plantas. A matéria orgânica seca funciona, por sua vez, como barreira, garantindo um ambiente inodoro e livre de moscas e outros insetos. O banheiro seco é, efetivamente, a verdadeira alternativa de SANEAMENTO AMBIENTAL por não poluir os solos e nem os corpos d'água.

Quanto é??

As inscrições estão custando 40 reais com alimentação vegetariana e certificado.

E como chegar lá??

De carro: Vá até o km 57 da BR 101 sentido norte e faça o retorno. Siga as placas da OTL. Entre na placa indicando a OTL depois de 1,5 km do retorno e siga por uma estrada de terra. Após passar uma construçãovermelha e azul (OTL), siga a estrada sempre à direita e vá até o ultimo sítio com uma bandeira arco-íris no portçao de entrada. Bem vindo ao Centro Ecopedagógico Bicho do Mato.

De ônibus: Desça no Terminal da Macaxeira e pegue qualquer ônibus que segue rumo a Paulista pela BR 101. desça no ponto da Estrada dos Passarinhos, atravesse com cuidado a BR e diga a estrada de terrra sempre à direita.

Informações:

97082686/8800 0528
ecopedagogia@gmail.com

http://bichodomato.noblogs.org/


quarta-feira, 4 de março de 2009

O CASA no FSM e Aldeia da Paz

E mais um Forum Social Mundial é realizado e o CASA se faz presente pela primeira vez.
Levando suas idéias da cultura da sustentabilidade e paz, além do conceito de cidadania planetária, os integrantes presentes puderam fazer muitos contatos com outros permacultores de todo o Brasil e várias regiões do mundo.
A troca de experiências foi de importantíssima valia que ajudou a manter firme o propóstio na busca da cura do planeta.
Além disso, o contato com grandes nomes da área ambiental, como Leonardo Boff, Marina Silva e Boaventura de Sousa Santos, nos ajudaram e ajudam a internalizar conceitos novos ou já conhecidos. A experiência alheia na luta contínua também nos dá uma grande força para a continuidade do processo.
Ficamos na Aldeia da Paz, que é uma seção do Acampamento da Juventude, e tivemos a oportunidade de participar de vários mutirões para a cosntrução de nossa comunidade temporária. Além da construção física do acampamento, demos o nosso suor para toda uma estrutura comunitária, como assessoria de imprensa, coordenação, divulgação e etc. A experiência foi linda e pena que nem todos os membros do coletivo puderam compartilhar com a família desse grande crescimento profissional e, sobretudo, pessoal. Mas, calma, outros eventos e FSMs virão...








E o que é o Fórum Social Mundial?

O Fórum Social Mundial (FSM) é um espaço aberto de encontro – plural, diversificado, não-governamental e não-partidário –, que estimula de forma descentralizada o debate, a reflexão, a formulação de propostas, a troca de experiências e a articulação entre organizações e movimentos engajados em ações concretas, do nível local ao internacional, pela construção de um outro mundo, mais solidário, democrático e justo.

As três primeiras edições do FSM, bem como a quinta edição, aconteceram em Porto Alegre, Rio Grande do Sul (Brasil), em 2001, 2002, 2003 e 2005. Em 2004, o evento mundial foi realizado pela primeira vez fora do Brasil, na Índia. Em 2006, sempre em expansão, o FSM aconteceu de maneira descentralizada em países de três continentes: Mali (África), Paquistão (Ásia) e Venezuela (Américas). Em 2007, voltou a acontecer de maneira central no Quênia (África).E agora em 2009, foi realizado em Belém do Pará, em meio à grande e belíssima Amazônia.

O FSM tornou evidente a capacidade de mobilização que a sociedade civil pode adquirir quando se organiza a partir de novas formas de ação política, caracterizadas pela valorização da diversidade e da co-responsabilidade. O sucesso da primeira edição resultou na criação do Conselho Internacional que, em sua reunião de fundação, aprovou em 2001 uma Carta de Princípios, a fim de garantir a manutenção do FSM como espaço e processo permanentes para a busca e a construção de alternativas ao neoliberalismo. Hoje, são realizados fóruns sociais locais, regionais, nacionais e temáticos em todo o mundo, com base na Carta de Princípios. Em 2008, para marcar esse processo, foi realizado mundialmente no dia 26 de janeiro o Dia Global de Mobilização e Ação.


Os FSMs surgiram das mobilizações sociais a partir de 1999 como parte das ações globais que se deram inicialmente contra o neoliberalismo e a globalização, tanto em Kolhn, Alemanha, num encontro do FMI( Fórum Monetário Internacional), como em Seattle nos Estados Unidos, no encontro da Organização Mundial de Comércio. A característica principal desses eventos é a diversidade e pluralidade de movimentos sociais, ecológicos, espiritualistas, anarquistas, pacifistas, indígenas, religiosos, camponeses, marxistas, de mídia independente, feministas e de Direitos Humanos em geral, de todo mundo, sendo todos eles autônomos, participando pela primeira vez, na historia recente, de uma forma organizada, lutando pelos mesmos objetivos.

Seu lema: Um outro mundo é possível conduziu a formulação do conceito altermundista para os atores e ativistas desse novo movimento mundial.

Em cada um desses eventos, pelo menos no Brasil, se designa um espaço para o Acampamento Internacional da Juventude, no que por três anos uma série de grupos altermundistas desse país tem coordenado as Aldeias da Paz, modeladas, entre outros, pelo desenho gestado ao longo do processo de formação dos Conselhos de Visões biorregionais, que tiveram origem no México, desde princípios dos anos 90. Vários membros dessa rede de organizadores da experiência das Aldeias de Paz brasileiras, entre eles Thomas Enlazador e Claudião Spinola, assistiram o chamado do Condor e se converteram nos principais coordenadores juntamente conosco, Caravana Arco-íris do Chamado do Beija-flor.



Por que uma Aldeia de Paz nos FSM?

A decisão de criar esses espaços surgiu da observação de que nesses eventos, que atraem dezenas de milhares de ativistas de todo o mundo, não tem uma previsão de um espaço em que se possa montar um modelo-piloto, temporal, onde se possam oferecer experiências práticas, vivenciais, naquilo que implica criar e sustentar uma cultura altermundista diante das condições em que se encontra o nosso planeta hoje em dia. Os fóruns trazem consigo uma programação com centenas de conferências, mesas redondas, apresentações audiovisuais, documentários, filmes, exposições de fotos incluindo manifestações artísticas de todas as espécies, mas todas falando do que não funciona no sistema dominante em que vivemos, e muito pouco do que poderia ser feito em propostas alternativas esse sistema. De como passar dos pro-testos para as pro-postas possíveis.

É certo que em um par de ocasiões tanto no Brasil quanto na África, a rede global de ecoaldeias e de permacultores montaram seus estandes de informação, também para apresentar suas, nossas, propostas de como criar e multiplicar essas experiências fundamentais ao longo do planeta. Mas na prática, durante os fóruns, não conseguiram montar um espaço onde isso pudesse ser vivenciado, onde todas as mesmas contradições possam ser testadas, colocadas em ação, experimentadas, corrigidas, transformadas e transcendidas.

A proposta de levantar de novo uma Aldeia da Paz em Belém, foi de poder contar com um espaço onde se possa comer de uma maneira saudável, agradecendo por tudo o que a natureza nos proporciona, acampar sem medo de ser roubados e das mulheres serem molestadas, um espaço onde possamos reciclar nosso lixo, usar a água de maneira racional, criar rodas de paz para compartir cantos e danças de todo o mundo, ter um local de cura com as plantas e outras terapias alternativas, um lugar onde nossas crianças possam brincar e cantar sem estar em perigo, nem estar expostos ao consumismo e aos outros valores que nos induzem dia e noite os meios publicitários, um lugar onde se possa manter um fogo aceso no coração da aldeia, onde se possa ter a oportunidade de se expressar, de ser ouvido. E que todas essas palavras, orações, cantos, questionamentos e propostas não sejam tão somente retóricos, mas sim que possam ser levadas e aplicadas no nosso cotidiano.

Dessa forma, a Aldeia da Paz não deve sert simplesmente um espaço criado em alguns eventos, principalmente FSMs, mas, sobretudo, deve ser criada dentro de cada um de nós.

Aho!


quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Edf. Villa Claúdia

Aqui estão...algumas fotos do processo de intervenção no jardim do Edf. Villa Cláudia, finalizado dia 27/01, onde o Coletivo CASA deu mais uma contribuição na tentativa de colocar uma pouco de charme a mais um ambiente externo!!! Apreciem...

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